Profissionais que hoje lidam separadamente com atendimento técnico, automação de fábrica, controle de movimento e automação de processos da Siemens vão encontrar, a partir de 1º de outubro de 2026, uma estrutura única. O comando caberá a um só executivo, o alemão Rainer Brehm, nomeado presidente da nova unidade.
A decisão, anunciada em 12 de agosto pelo conselho executivo da Siemens AG, funde as quatro áreas em uma única organização batizada apenas de Automation. Brehm assume o cargo em 1º de outubro e passa a se reportar diretamente a Cedrik Neike, membro do conselho executivo da Siemens AG e CEO da divisão Digital Industries.
As quatro áreas fundidas cobriam frentes distintas do portfólio industrial. Customer Services reunia suporte técnico e peças de reposição, enquanto a Factory Automation concentrava controladores lógicos programáveis e produtos para manufatura discreta, como a linha Simatic.
Já a Motion Control incluía servomotores, inversores de frequência e controle numérico para máquinas-ferramenta. A Process Automation atendia indústrias de processo contínuo, como química e alimentos, com sistemas de controle distribuído e instrumentação de campo.
Fusão chega em meio a resultados recordes
Brehm nasceu em março de 1975 em Erlangen, na Alemanha, e se formou em engenharia elétrica pela Technische Hochschule Georg-Simon-Ohm, em Nuremberg. Ingressou na Siemens em 1999.
Antes de assumir a função atual de diretor de operações do negócio de automação e diretor de tecnologia da Digital Industries, Brehm foi CEO da unidade Factory Automation, a mesma área que agora passa a integrar a organização unificada.
A fusão chega num momento de resultados fortes para a área. No terceiro trimestre do exercício fiscal 2025/2026, encerrado em junho, a receita da Digital Industries cresceu 12% na comparação anual, para € 4,93 bilhões, e o lucro somou € 923 milhões, alta de 44%, com margem de 18,7%.
Pela cotação de 13 de agosto de 2026, de € 1 para R$ 5,97, os valores equivalem a aproximadamente R$ 29,4 bilhões em receita e R$ 5,5 bilhões em lucro no trimestre. No mesmo período, o grupo Siemens bateu recorde de encomendas, em € 27,9 bilhões, e anunciou programa de recompra de ações de € 6 bilhões.
O anúncio integra um movimento maior dentro da companhia. Ao divulgar esses números trimestrais, em 6 de agosto, a Siemens revelou que Peter Körte deixará a função de diretor de tecnologia do grupo, mantendo a responsabilidade pela divisão Smart Infrastructure.
Neike assume a supervisão tecnológica corporativa a partir da mesma data de 1º de outubro, mudança associada ao mesmo programa interno, batizado de ONE Tech Company.
A unificação também ocorre num negócio que já vinha em ajuste de estrutura. Em março de 2025, a Siemens havia comunicado a representantes dos funcionários um plano de redução de cerca de 5.600 vagas no negócio de automação em todo o mundo, sendo 2.600 delas na Alemanha.
A execução desse plano está prevista até o fim do exercício fiscal de 2027. À época do anúncio, a Digital Industries empregava cerca de 68 mil pessoas em todo o mundo.
“Honorary Brazilian”

Antes de chegar à cúpula da Digital Industries, Brehm já havia vivido e trabalhado no Brasil. A biografia oficial distribuída pela Siemens registra que, entre 2014 e 2017, ele comandou a partir de São Paulo a divisão Process Industries & Drives da companhia, reunindo depois também a área de Power & Gas.
Essa passagem ganhou destaque numa visita recente ao país. Uma publicação da Siemens Brasil no LinkedIn registrou a passagem de Brehm pelo Tech Hub e pelo Digital Experience Center (DEX) da empresa, ambos em São Paulo, com conversas internas voltadas à equipe local.
A mesma publicação relatou que a subsidiária entregou a Brehm um certificado simbólico de “Honorary Brazilian” em reconhecimento aos anos que ele já viveu no país.
O Tech Hub visitado por Brehm foi lançado em abril, durante a Hannover Messe 2026. A iniciativa integra a mesma estratégia ONE Tech Company que agora sustenta a criação da unidade Automation, embora o comunicado sobre a nova unidade não cite o Brasil nominalmente.
Faltam menos de dois meses para a nova estrutura entrar em vigor. Siemens Brasil ainda não detalhou, em comunicado próprio, como a fusão das quatro áreas globais vai se refletir na operação e na equipe local, hoje dirigida por Pablo Fava.
Para Neike, a reorganização decorre da convergência entre automação, software e inteligência artificial, campo no qual a Siemens tem investido para avançar rumo ao que a empresa chama de produção autônoma.
Brehm descreve o objetivo em termos semelhantes: reunir as equipes de automação em torno de uma oferta mais integrada para os clientes industriais, sem detalhar como isso se traduz em mudanças concretas de processo comercial.

