Uma fábrica de lácteos em Poços de Caldas (MG) vai ganhar, em agosto, uma nova linha de produção equipada com sensores de condutividade para rastrear a passagem de produto nas tubulações e onze impressoras 3D dedicadas à fabricação interna de peças de manutenção, segundo a Danone, dona da unidade.
A unidade produz as marcas YoPRO, Danone, Danette, Danoninho e Activia. A expansão integra a estratégia da companhia de ampliar a oferta de produtos de alta proteína, categoria que a empresa associa ao crescimento recente do consumo brasileiro de lácteos funcionais.
Dados independentes sustentam a leitura. Levantamento da Scanntech em parceria com a McKinsey mostra avanço de 16% no consumo de iogurtes proteicos e de 14% em leites saborizados com proteína entre janeiro e outubro de 2025, ante igual período do ano anterior. A proteína virou argumento de venda também fora do público esportivo.
O aporte atual soma-se a um histórico extenso de investimentos na planta mineira. Levantamentos públicos mostram que a mesma fábrica recebeu R$ 250 milhões nos três anos anteriores a 2019 e outros R$ 130 milhões previstos para 2020 e 2021.
Uma unidade separada, de nutrição infantil, foi erguida no mesmo distrito industrial com aporte de R$ 120 milhões. As duas plantas juntas somam mais de 3.100 empregos diretos da companhia no país, segundo dado mais recente divulgado pela própria Danone.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o presidente da Danone no Brasil, Tiago Santos, afirmou que a ampliação da linha de proteínas foi aprovada pelo grupo global há dois anos. O aporte é da ordem de milhões de euros, dentro de um ciclo que soma R$ 1 bilhão em investimentos industriais no país desde o início da pandemia.
Sensores rastreiam a passagem de produto na linha
Um dos pontos mais específicos do anúncio é o uso de sensores de condutividade para identificar a fase que passa pela tubulação em cada etapa da produção. A tecnologia mede a capacidade elétrica do fluido, que varia entre água de enxágue, soluções de limpeza e o próprio produto.
A aplicação é comum em sistemas de limpeza no local, conhecidos pela sigla CIP, usados para higienizar tanques e tubulações sem desmontagem entre lotes de produção.
Fabricantes de instrumentação apontam a condutividade como parâmetro de baixo custo de manutenção para detectar a interface entre fases. Isso ajuda a reduzir o desperdício de água, de produto e de agentes de limpeza ao longo do ciclo de higienização.
A Danone classifica o projeto como referência interna e diz avaliar sua aplicação em outras operações do grupo. A empresa não informou o percentual de redução de perdas obtido em Poços de Caldas, nem se a tecnologia substituiu de forma integral a inspeção manual usada antes nas trocas de fase.
Impressoras 3D reduzem dependência de peças importadas
A fábrica também opera onze impressoras 3D dedicadas à reprodução de componentes plásticos usados nos próprios equipamentos de produção, com apoio de scanners e softwares de engenharia reversa.
Casos semelhantes em outras indústrias brasileiras dão dimensão ao ganho potencial dessa abordagem. A têxtil catarinense Incofios relatou à imprensa especializada que a fabricação interna de peças reduziu de até seis meses para 24 horas o tempo de espera por componentes de reposição.
A Incofios batizou a iniciativa de almoxarifado digital. Em vez de manter estoque físico, a empresa guarda os arquivos de impressão e produz cada componente sob demanda quando um equipamento falha, prática que consultorias do setor de manufatura aditiva associam a cortes de custo de até 70% em peças de reposição.
Para Mário Rezende, vice-presidente de Operações da Danone Brasil, a expansão acompanha uma mudança de hábito observada pela companhia há anos.
“Seguimos investindo em inovação, eficiência industrial e fortalecimento da cadeia produtiva local porque acreditamos no potencial de crescimento do país e das categorias ligadas à saúde e à nutrição”, afirma Rezende.
A Danone não divulgou o valor específico investido na nova linha nem a data exata da inauguração em agosto. A empresa também não informou quantas peças já foram produzidas pelas impressoras 3D da unidade, nem se o parque de equipamentos será ampliado junto com a nova linha.

