A montadora chinesa GWM confirmou a construção de sua segunda fábrica no Brasil, no município de Aracruz, no Espírito Santo. O anúncio foi feito em cerimônia realizada em 30 de junho no terreno onde a unidade será erguida, em Barra do Riacho, com a presença de executivos da companhia e do governador capixaba, Ricardo Ferraço. A nova planta integra um plano de investimentos de R$ 10 bilhões da montadora no Brasil ao longo de uma década.
A fábrica de Aracruz será do tipo greenfield, construída a partir de um terreno vazio de aproximadamente 1,7 milhão de metros quadrados às margens da rodovia ES-257. O complexo adota o conceito que a GWM chama de multienergia, permitindo que veículos elétricos, híbridos e a combustão sejam montados na mesma linha de produção, sobre uma base industrial comum. Trata-se de um formato ainda inédito no país.
Segunda unidade amplia capacidade em quatro vezes
A nova planta terá capacidade para produzir até 200 mil veículos por ano, volume quatro vezes maior que o da primeira fábrica da GWM no país, localizada em Iracemápolis, no interior de São Paulo, e inaugurada em agosto de 2025 com a presença do presidente Lula.
Segundo Xiangjun Meng, diretor de produção global da GWM, a unidade paulista produz atualmente cerca de 40 mil veículos por ano, volume considerado insuficiente para atender à demanda brasileira pelos modelos da marca.
A operação em Aracruz está prevista para começar em 2029, com capacidade inicial de 100 mil unidades anuais, que deve chegar ao teto de 200 mil a partir de 2030. O primeiro modelo com produção confirmada na unidade capixaba é o Ora 5, SUV compacto elétrico lançado no mercado brasileiro em junho por R$ 159 mil. Segundo a companhia, a primeira etapa do projeto vai receber aporte de R$ 4,6 bilhões, dentro do pacote total de R$ 10 bilhões previsto para o país.
Aracruz venceu concorrência com outros cinco estados
O Espírito Santo disputou a fábrica com outros cinco estados brasileiros e também com outros países, segundo Ricardo Bastos, diretor de Relações Institucionais da GWM Brasil. Entre os fatores que pesaram na escolha estão a proximidade com os principais mercados consumidores do país, o acesso portuário para recebimento de insumos e exportação de veículos, e a estabilidade regulatória do estado, além da articulação direta com a gestão pública capixaba para viabilizar a cessão do terreno.
Depois de atender à demanda interna, a fábrica de Aracruz deve servir também como plataforma de exportação para outros países da América Latina, incluindo Argentina, México, Chile, Colômbia e Uruguai.
A GWM afirma que a estratégia consolida o Brasil como base industrial e exportadora da marca para a região, ampliando o papel do país dentro da cadeia produtiva global da montadora.
Capacitação em automação como pilar da operação
Um dos pontos de maior interesse para o setor de automação industrial é a estratégia de qualificação de mão de obra anunciada pela GWM para a unidade capixaba. Segundo Ricardo Bastos, a empresa já iniciou parcerias com o SENAI para capacitar trabalhadores em tecnologias de automação, eletrônica e controle de qualidade, refletindo a mudança no perfil de trabalho da indústria automotiva moderna, que se afasta de tarefas de esforço físico repetitivo e se aproxima de funções técnicas e intelectuais.
De acordo com a companhia, a operação deve empregar profissionais em diferentes níveis de qualificação, desde atividades operacionais de produção até técnicos especializados em processos industriais de maior complexidade e engenheiros dedicados tanto à manufatura quanto ao desenvolvimento e adaptação de produtos para o mercado brasileiro.
A expectativa da GWM é gerar até 10 mil empregos diretos e indiretos quando a fábrica atingir plena maturidade, além de entre 1,5 mil e 3,5 mil postos de trabalho durante a fase de construção.
Investimento pode ser revisado para cima
Embora o pacote de R$ 10 bilhões para o Brasil tenha sido anunciado originalmente em 2022, o valor específico destinado à planta de Aracruz está em processo de revisão, segundo apurado pela imprensa capixaba, já que as dimensões finais do projeto superaram as estimativas iniciais. Estimativas preliminares indicam um custo em torno de US$ 1 bilhão, equivalente a cerca de R$ 5 bilhões, para a primeira etapa da unidade, valor que pode ainda aumentar conforme o projeto avança.
A GWM mantém a expectativa de iniciar as obras ainda em 2026 e sinalizou disposição para antecipar o cronograma de operação, embora a data oficial de início de produção continue projetada para 2029.
Para o governo do Espírito Santo, a chegada da montadora chinesa representa um marco para a atração de investimentos produtivos e para a inserção do estado em uma cadeia global da indústria automotiva, com efeitos esperados também sobre fornecedores locais e instituições de ensino técnico da região.

