Máquinas com controle de movimento em até 256 eixos passam a operar com um único controlador que integra lógica, comunicação e movimento, dispensando a combinação de múltiplos módulos especializados. O equipamento, batizado MELSEC MX, foi apresentado pela Mitsubishi Electric em 31 de julho.
A fabricante japonesa descreve o MELSEC MX como uma plataforma multi-core capaz de reunir, em um único hardware, três funções que normalmente exigem módulos separados: controle sequencial, controle de movimento e controle de rede. Segundo a documentação técnica da companhia, o desempenho de controle de movimento chega a ser dez vezes superior ao de controladores anteriores da própria Mitsubishi Electric.
Duas linhas para necessidades distintas
O MELSEC MX é dividido em dois modelos. O MX-R atende aplicações que exigem controle de até 256 eixos e se integra à família MELSEC iQ-R, voltada a sistemas de maior porte. Já o MX-F, compatível com a linha iQ-F, cobre faixas menores, de oito a dezesseis eixos, e foi pensado para máquinas que não precisam de alta densidade de eixos, mas ainda assim demandam sincronismo fino.
A comunicação entre eixos usa o protocolo CC-Link IE TSN, com sincronização de até 250 microssegundos no modelo MX-F, conforme especificação publicada pela Mitsubishi Electric. Um único cabo Ethernet conecta até trinta estações padrão e dezesseis estações de movimento, o que reduz a quantidade de cabeamento em relação às arquiteturas anteriores da fabricante.
A programação do MELSEC MX é feita pelo software GX Works3, já usado nas famílias iQ-R e iQ-F, o que elimina a necessidade de uma ferramenta de engenharia dedicada para quem já opera equipamentos Mitsubishi Electric. A companhia não informou, até a publicação desta matéria, o preço de lista dos módulos nem a data de chegada oficial ao mercado brasileiro.
Convergência de IoT e IA no radar da filial brasileira
O lançamento chega em um momento em que a Mitsubishi Electric do Brasil sinaliza reforço de portfólio para o ciclo de 2026. A companhia afirma apostar na convergência entre Internet das Coisas e inteligência artificial aplicada ao chão de fábrica, com foco em setores como alimentos e bebidas, farmacêutico, automotivo, embalagens e logística.
A filial brasileira também tem indicado uma estratégia de descentralização geográfica, reforçando canais e distribuidores fora do eixo Sul-Sudeste, à medida que o Centro-Oeste e o Nordeste ganham peso com o avanço da agroindústria. Essa capilaridade tende a ser o fator que determina a velocidade real de adoção de um controlador novo, mais do que a especificação técnica isolada.
Não há, até o momento, confirmação pública de quando o MELSEC MX estará disponível para pedido no Brasil, nem se a chegada seguirá o ritmo dos lançamentos anteriores da linha iQ-R, historicamente introduzidos no país meses depois do lançamento global.
O que muda para quem projeta a máquina
Na prática, integrar lógica, movimento e rede em um único controlador reduz o número de componentes no painel elétrico e simplifica o programa, já que sequência e movimento passam a compartilhar o mesmo ambiente de desenvolvimento. Isso tende a beneficiar principalmente máquinas de embalagem, manuseio de materiais e linhas de montagem com múltiplos eixos sincronizados, aplicações em que hoje é comum combinar um CLP e um controlador de movimento distintos.
A dependência do protocolo CC-Link IE TSN também merece ressalva. Fábricas que já operam com esse protocolo, mais comum entre integradores que trabalham com equipamentos japoneses, tendem a se beneficiar diretamente. Já plantas com infraestrutura consolidada em Profinet ou EtherNet/IP precisarão avaliar o custo de uma rede paralela ou de gateways de conversão, informação que não consta no material divulgado pela fabricante.
A Mitsubishi Electric não detalhou se o MELSEC MX substituirá gradualmente as famílias de controladores atuais ou se operará como uma linha adicional, voltada a projetos que já nascem exigindo alta densidade de eixos. Essa definição costuma pesar na decisão de integradores que planejam o ciclo de vida de um projeto de automação por cinco a dez anos.

