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Da falência à expansão global: Nova Smar mira R$ 300 milhões de faturamento

Empresa sertanezina consolida modelo inédito de recuperação judicial no Brasil e anuncia internacionalização para EUA, Índia e Leste Europeu
Equipe de RedaçãoPor Equipe de Redação11/06/2026
Da falência à expansão global: Nova Smar mira R$ 300 milhões de faturamento
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Uma assembleia geral de acionistas realizada na quarta-feira (10) no ginásio Docão, em Sertãozinho (SP), marcou o encerramento formal de um ciclo para a Nova Smar: a empresa de instrumentação e automação industrial votou as últimas pautas vinculadas à regularização do passivo da massa falida e reconduziu a diretoria por mais três anos. Liberta das restrições que impediam o acesso direto a contratos com estatais e a processos de certificação, a fabricante sertanezina apresentou um plano para quase triplicar o faturamento nos próximos anos.

A Smar foi fundada em Sertãozinho em 1974 e construiu, ao longo de décadas, uma posição consolidada na automação de processo industrial, com reconhecimento internacional a partir de sua atuação com a tecnologia Fieldbus. No auge, a empresa operava duas fábricas nos Estados Unidos e oito subsidiárias no exterior, com mais de mil funcionários.

A crise se instalou a partir de 2012, com investigações fiscais que levaram à penhora de faturamento e tornaram inviável o pagamento regular de credores e salários. Em 2013, veio o pedido de recuperação judicial; em 2015, a decretação da massa falida.

A saída encontrada envolveu a conversão dos créditos trabalhistas e de fornecedores em cotas de uma nova sociedade anônima fechada, modelo então pouco usual no ambiente corporativo brasileiro. Em março de 2026, a empresa concluiu a distribuição de R$ 28 milhões em ações para 765 credores da antiga Smar como quitação parcial dos débitos trabalhistas acumulados.

Um comitê gestor eleito pelos próprios credores assumiu a administração, com o engenheiro Libânio Carlos de Souza à frente desde o início. Nos anos seguintes, a gestão obteve certificações auditadas por organismos internacionais, retomou contratos relevantes e manteve exportações ativas para cerca de 70 países.

A Petrobras, que havia reduzido sua participação na carteira por conta das restrições jurídicas, voltou à condição de cliente mais representativo em 2025, respondendo por 6% do faturamento anual. A empresa fecha esse ciclo com 356 colaboradores e receita em torno de R$110 milhões por ano.

A assembleia no Docão chamou atenção também pela solução tecnológica adotada. Com 28 milhões de cotas emitidas e cada cota correspondendo a um voto, qualquer modelo de apuração manual seria operacionalmente impraticável. A empresa contratou a ARO Eleven para desenvolver um sistema de votação digital baseado em QR Code: cada acionista chegou ao ginásio com um código de identificação, recebeu um segundo código na entrada para acesso à sala virtual de votação e acompanhou em tempo real, pelo celular, o histórico de votos registrados e as pautas ainda pendentes.

O sistema registrou também a posição geográfica do dispositivo no momento de cada voto. Com 484 acionistas presentes, oito pautas foram deliberadas em três horas.

Nova fase e plano de crescimento para três continentes

Assembleia da Nova Smar realizada no Docão em Sertãozinho (SP) com 484 acionistas presentes.
Assembleia realizada no Docão em Sertãozinho (SP) com 484 acionistas presentes. Foto: Divulgação

Com o passivo judicial encaminhado, a diretoria reconduzida apresentou o plano estratégico batizado de “Reversão 30/70”, cujo objetivo é elevar o faturamento para R$300 milhões. O núcleo do plano é um programa chamado “Novos Brasis”, com três frentes simultâneas de internacionalização: os Estados Unidos, onde a empresa já mantém estrutura local; a Índia, onde está em implantação uma fábrica de sensores e placas; e o Leste Europeu como terceiro vetor de expansão.

A lógica, segundo Libânio, é replicar no exterior o modelo de atendimento que consolidou a posição da empresa no mercado interno.

O alicerce técnico dessa expansão é a participação da Nova Smar no OPAS (Open Process Automation Standard), padrão aberto para sistemas de automação desenvolvido e mantido pelo Open Process Automation Forum (OPAF), parte do The Open Group. A Nova Smar integra o fórum desde 2019 e conduz desde então um roadshow global para difundir o padrão e demonstrar suas aplicações em campo. Das 50 cidades previstas, 33 já foram visitadas em diferentes continentes, incluindo Ruanda, no continente africano, entre as mais recentes.

A empresa figurou como patrocinadora global no ARC Industry Leadership Forum de Singapura, em 2025, com apresentação sobre a convergência entre inteligência artificial, arquiteturas abertas e a realidade de fábricas digitais.

Para operacionalizar a proposta do OPAS em planta, a Nova Smar desenvolveu um software de orquestração de sistemas de automação com suporte de inteligência artificial. A ferramenta executa tarefas de configuração e integração que, pela via convencional, demandariam dias de trabalho de engenharia especializada. O produto já está disponível e figura entre os lançamentos previstos para a Fenasucro & Agrocana 2026.

Saneamento: mercado de escala com concorrência apenas estrangeira

Além das frentes de automação de processo, a Nova Smar preparou para a Fenasucro 2026 o lançamento de um produto voltado ao setor de saneamento. Batizado internamente de AC500, o equipamento é um controlador com inteligência embarcada para gestão de redes de distribuição de água, com funções de controle de pressão, regulação de vazão e detecção e estancamento de vazamentos em pontos específicos da malha.

A diferença em relação à linha anterior da empresa nessa área reside no nível de integração: o AC500 chega ao mercado como solução completa, não como instrumento isolado.

O contexto justifica o investimento. Segundo dados citados durante a assembleia, o índice médio de perdas na distribuição de água urbana no Brasil alcança 50% do volume produzido, proporção que coloca o setor como um dos maiores mercados potenciais para tecnologia de controle de processos no país. A empresa afirmou não ter identificado, até o momento, fabricantes nacionais com produtos de especificação comparável no segmento, colocando o AC500 em competição direta com fornecedores internacionais.

Do lado institucional, o departamento de governança coordenou toda a operação da assembleia e consolidou durante a gestão anterior um conjunto de instrumentos que inclui código de ética e conduta, programa de integridade e relatório de ESG.

O setor também administra os benefícios fiscais da Lei do Bem e da Lei de Informática, que financiam um laboratório interno de inovação com interface junto a universidades e centros de pesquisa, incluindo um projeto de pós-doutorado na USP com foco em controladoria aplicada a empresas de tecnologia industrial.

O próximo marco público da Nova Smar é a Fenasucro & Agrocana 2026, marcada para de 11 a 14 de agosto no Centro de Eventos Zanini, em Sertãozinho. Segundo a empresa, delegações de 40 representantes do OPAF de diferentes países estarão presentes na feira, incluindo visitantes do Japão, Europa e Estados Unidos.

A Nova Smar prevê ainda, em parceria com a norte-americana CSI, o lançamento de um produto desenvolvido conjuntamente para o setor de energia.

Com informações de Jota Show.

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