O Grupo RFK inaugurou nesta terça-feira (21) sua nova fábrica de bebidas em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, com investimento de cerca de R$ 400 milhões. A unidade é a quinta planta industrial da companhia e a maior já construída em seus dezesseis anos de história.
O projeto nasceu com orçamento inicial de R$ 300 milhões, anunciado em 2024, e chega à inauguração com valor ampliado para R$ 400 milhões. A fábrica ocupa um terreno de 300 mil metros quadrados na região metropolitana, em área próxima a plantas industriais da Audi e da Electrolux, e foi concebida para produzir cerveja, energético e refrigerante nas linhas pet, vidro e lata, com capacidade estimada em 1,2 bilhão de litros por ano.
Conceito de planta 100% automatizada
O diferencial técnico da unidade está na parceria com a Krones, multinacional alemã de referência global em engenharia para linhas de envase e engarrafamento. Segundo o CEO e fundador do Grupo RFK, Márcio José Mendes, todo o conceito da planta foi desenvolvido pela Krones, com produção descrita pela empresa como totalmente automatizada e gerenciada por inteligência artificial em todas as etapas.
A operação segue o conceito de Indústria 4.0, com sistemas de automação industrial integrados à gestão produtiva desde a recepção de insumos até o envase final. De acordo com o Grupo RFK, a estrutura foi dimensionada para operar com o dobro da capacidade nas linhas de latas e crescimento médio de até 70% nas linhas de PET em relação às plantas anteriores da companhia. A automação abrange também os sistemas de eficiência energética da fábrica, com cogeração e reaproveitamento de energia térmica ao longo do processo produtivo, além de tecnologia voltada à captura do CO2 gerado naturalmente na fermentação das bebidas.
A fábrica reforça, sobretudo, a produção do energético Furioso, hoje entre as cinco maiores marcas de energéticos do país, e amplia a presença das marcas Refriko, Bella Roma e Hidratar nos mercados do Paraná, São Paulo e Santa Catarina.
Impacto direto e indireto na cadeia produtiva
A operação começa com cerca de 300 empregos diretos na nova unidade. Segundo estimativas do Grupo RFK baseadas em estudos da Fundação Getulio Vargas sobre o efeito multiplicador da indústria cervejeira, a fábrica pode movimentar mais de 10 mil empregos ao longo de toda a cadeia do setor de bebidas, incluindo produtores rurais, fabricantes de embalagens, transportadoras, distribuidores, supermercados, bares e restaurantes.
O governo do Paraná concedeu incentivos fiscais para atrair o investimento à Região Metropolitana de Curitiba, disputada internamente pelo próprio grupo, que também mantém unidades em outros estados. Fundado em 2010 na cidade de Cambé, no norte do Paraná, o Grupo RFK soma hoje cerca de 800 colaboradores e mais de 20 mil clientes, com fábricas também no interior de São Paulo, em Mato Grosso do Sul e no Pará.
Meta de R$ 2 bilhões até 2030
A nova planta é apontada pela companhia como o início do maior ciclo de expansão de sua história, com meta corporativa de atingir R$ 2 bilhões em faturamento anual até 2030. Para o setor de bebidas brasileiro, o investimento consolida o Paraná como um dos principais polos cervejeiros do país, ao lado de outras plantas recentes equipadas com tecnologia Krones no Brasil, como a unidade do Grupo Petrópolis em Uberaba (MG).
O próximo passo da companhia será colocar em operação plena a nova unidade e acompanhar a curva de produção nas linhas automatizadas ao longo dos próximos meses, à medida que a fábrica avança da inauguração para a capacidade máxima projetada.

