A Honeywell Technologies anunciou, em 17 de julho de 2026, a conclusão da aquisição do negócio de Catalyst Technologies da Johnson Matthey por 1,325 bilhão de libras esterlinas, aproximadamente US$ 1,76 bilhão, em uma transação totalmente em dinheiro. O acordo amplia o portfólio da companhia norte-americana nos segmentos de refino, petroquímica e combustíveis renováveis.
Negociação passou por revisão antitruste
A operação havia sido anunciada originalmente em maio de 2025, quando o valor da transação era de 1,8 bilhão de libras, equivalente a US$ 2,4 bilhões. O fechamento estava previsto para 21 de fevereiro de 2026, mas acabou postergado em função de aprovações de órgãos antitruste. Como resultado do atraso, o preço final ficou 26% abaixo do valor inicialmente acordado.
O negócio de Catalyst Technologies da Johnson Matthey reúne tecnologias voltadas à produção de hidrogênio azul, captura e armazenamento de carbono e amônia, além de soluções para combustíveis sustentáveis como SAF (combustível sustentável de aviação) e biometanol. Entre os processos incorporados estão a tecnologia LCH, usada em projetos de hidrogênio de baixo carbono, e o HyCOgen, aplicado à produção de syngas para combustíveis sintéticos.
Segundo a Honeywell Technologies, a combinação entre o conhecimento da Johnson Matthey em catalisadores e as tecnologias de processo, automação e a plataforma digital Honeywell Forge, já existentes na companhia, deve resultar em uma oferta mais completa para clientes dos setores de energia e processos industriais.
De acordo com Ken West, presidente e CEO de Process Technology da Honeywell Technologies, a aquisição amplia a capacidade da empresa de entregar soluções de ponta a ponta que ajudam clientes a reduzir emissões e avançar em metas de segurança energética. West afirmou ainda que a integração das duas carteiras cria uma base para crescimento futuro, permitindo que clientes aproveitem imediatamente uma combinação mais robusta de ofertas.
Reorganização mais ampla da carteira de negócios
A conclusão da compra da Catalyst Technologies se insere em um processo de reestruturação societária que a Honeywell vem conduzindo desde 2023. Em 29 de junho de 2026, a companhia concluiu a separação de sua área aeroespacial, que passou a operar de forma independente sob o nome Honeywell Aerospace, negociada na Nasdaq sob o código HONA. Essa cisão havia sido precedida pelo desmembramento do negócio de Materiais Avançados, batizado de Solstice Advanced Materials, em outubro de 2025.
Segundo a empresa, desde 2023 já foram somados aproximadamente US$ 11,5 bilhões em aquisições consideradas estratégicas, incluindo a Compressor Controls Corporation, a SCADAfence, o negócio de GNL adquirido da Air Products, a Sundyne e a Li-ion Tamer. Em paralelo, a Honeywell também vem se desfazendo de ativos considerados fora do núcleo estratégico: a venda da unidade de equipamentos de proteção individual foi concluída em 2024, e a companhia trabalha para fechar, ainda no segundo semestre de 2026, a venda das unidades de Productivity Solutions and Services e Warehouse and Workflow Solutions. A primeira foi vendida à Brady Corporation por US$ 1,4 bilhão, enquanto a segunda, negociada com a American Industrial Partners, opera sob as marcas Intelligrated e Transnorm. Com esses movimentos, a Honeywell Technologies afirma buscar concentrar sua atuação em automação, software industrial e tecnologia de processo, hoje empregando mais de 50 mil pessoas.
Presença consolidada da Honeywell no setor de refino no Brasil
A Honeywell mantém histórico relevante no mercado brasileiro de refino e petroquímica por meio de sua unidade UOP, presente no país desde a abertura de um escritório no Rio de Janeiro em 2011, voltado a atender a demanda ligada ao pré-sal. A companhia tem parceria de longa data com a Petrobras em tecnologia de refino, processamento de gás natural e automação, incluindo a implantação do sistema Experion PKS em unidades da estatal brasileira.
Nos últimos anos, essa relação avançou para o campo dos combustíveis renováveis. A Petrobras selecionou a tecnologia Ethanol-to-Jet da Honeywell UOP para desenvolvimento de projeto na refinaria Replan, em São Paulo, com capacidade prevista de até 10 mil barris por dia de combustível sustentável de aviação, o que representaria a primeira iniciativa de grande escala desse tipo na América Latina. Anteriormente, a Petrobras também havia licenciado a tecnologia HEFA da Honeywell UOP para produção de SAF e diesel renovável na Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão, a partir de óleo de soja e sebo bovino.
A ampliação do portfólio de catalisadores agora sob controle da Honeywell Technologies, incluindo tecnologias ligadas a hidrogênio de baixo carbono e combustíveis sintéticos, deve reforçar a capacidade da companhia de atender demandas semelhantes em outros mercados onde já mantém operação consolidada, caso do Brasil.
Próximos passos da transformação societária
Com a aquisição da Catalyst Technologies já concluída, a Honeywell Technologies segue concentrada em finalizar o cronograma de desinvestimentos anunciado nos últimos meses. As vendas da Productivity Solutions and Services e da Warehouse and Workflow Solutions, ambas com fechamento previsto para o segundo semestre de 2026, devem marcar o encerramento de um ciclo de reorganização que, segundo a própria companhia, visa deixar a Honeywell Technologies mais concentrada em automação industrial, tecnologia de processo e software.

