A equipe Born to Fight, formada por estudantes da Escola SESI Ananindeua, no Pará, venceu no último domingo, 16 de agosto, o Champions Award, prêmio máximo do FIRST LEGO League (FLL) Asia Open Championship 2026, disputado em Pequim, na China, ao superar 160 equipes de 30 países e regiões na categoria FLL Challenge.
A escola integra a rede de unidades do Serviço Social da Indústria (SESI), sistema que administra a operação oficial dos torneios da FIRST no Brasil desde 2012. Com estudantes de 13 a 16 anos, a equipe chegou à China depois de vencer a etapa nacional da FLL, realizada em março em São Paulo, quando conquistou o Prêmio Niède Guidon de melhor Projeto de Inovação do Brasil e o primeiro lugar em Design do Robô.
Para o superintendente do SESI Pará, Dário Lemos, o resultado amplia a visibilidade da educação científica produzida na região. Ele destaca que a equipe defendeu, sobretudo, uma ideia construída na Amazônia, mostrando a qualidade da formação oferecida em Ananindeua a estudantes de todo o estado.
Réplicas em 3D dão acesso a peças arqueológicas
O projeto que a equipe levou à China, batizado de Relicário Amazônia, combina impressão 3D e tecnologia de comunicação por aproximação (NFC) para ampliar o acesso a artefatos arqueológicos. A proposta nasceu do desafio da temporada 2025/2026 da FLL, cujo tema, Unearthed, é inspirado na arqueologia e na preservação do patrimônio.
A solução produz réplicas tridimensionais de peças originais, que podem ser manuseadas sem risco de dano ao artefato real. Um chip NFC embutido nas réplicas permite acessar, por aproximação com um celular, informações sobre a origem e o contexto histórico de cada peça. O recurso amplia a acessibilidade para pessoas com deficiência visual, que passam a explorar as formas dos objetos pelo tato.
A abertura do campeonato reservou outro momento de destaque para a delegação paraense. A estudante Clara Peres, integrante da Born to Fight, foi escolhida para representar, no palco, os alunos dos mais de 30 países e regiões presentes ao evento.
O Champions Award não é decidido apenas pela pontuação do robô na mesa de missões. Na categoria FLL Challenge, as equipes são avaliadas em quatro frentes: desempenho do robô, projeto de inovação, design do robô e Core Values, conjunto de critérios que mede colaboração, respeito e trabalho em equipe. Durante o julgamento, os estudantes ainda precisam defender suas escolhas técnicas diante de avaliadores.
Resultado se soma à trajetória do Brasil na FIRST
O Asia Open Championship é um dos campeonatos internacionais abertos da FLL, ao lado de eventos equivalentes na Europa, nas Américas e na região Ásia-Pacífico. A disputa não deve ser confundida com o FIRST Championship, realizado em Houston, nos Estados Unidos, que reúne as três modalidades do programa: FLL, FIRST Tech Challenge e FIRST Robotics Competition.
Em maio, na edição de Houston, delegações brasileiras somaram nove prêmios internacionais, incluindo a entrada inédita de uma equipe do país no FIRST Hall of Fame.
Levantamento da própria redação, feito por ocasião do FIRST Championship de maio, mostra que o SESI organiza a operação oficial dos torneios da FIRST no Brasil há quatorze temporadas. Nesse período, o país acumulou mais de 110 prêmios internacionais somente na modalidade FLL, com mais de 45 mil estudantes participantes ao longo dos anos.
O técnico da equipe, Renato Ferreira, atribui o resultado a um processo construído ao longo de seis anos de trabalho na mesma escola. “O sucesso da Born to Fight está no legado”, afirmou. Para ele, cada geração de estudantes repassa à seguinte o robô, os códigos e os aprendizados sobre o que funcionou e o que não deu certo.
Em Pequim, o reconhecimento também alcançou o coordenador de Robótica das Escolas SESI, Cleibson Magalhães, que recebeu o Outstanding Coach Award, prêmio do torneio ao trabalho de destaque na orientação das equipes. “Receber esse reconhecimento em uma competição internacional é muito especial, mas ele representa um trabalho coletivo. Existe uma equipe de estudantes, técnicos, professores e famílias por trás de cada resultado”, afirmou o coordenador.
A equipe retornou a Belém na terça-feira seguinte à final, recebida no Aeroporto Internacional Júlio César Ribeiro por familiares, colegas e representantes do SESI Pará.

