Data centers dimensionados para inteligência artificial enfrentam prazos de obra cada vez mais curtos e sistemas elétricos, mecânicos e térmicos que hoje operam de forma isolada. Para tentar resolver esse gargalo, a Emerson lançou em 3 de agosto uma plataforma que integra o controle dos três sistemas em uma única arquitetura.
A DeltaV Automation Platform for Data Centers reúne, sob uma mesma camada de monitoramento, os subsistemas térmico, mecânico e elétrico de instalações classificadas pela companhia como de escala gigawatt. A proposta é substituir soluções pontuais e mapeamentos manuais entre sistemas por uma arquitetura única, definida já na fase de projeto.
Plataforma nasce do controle de processo industrial
A DeltaV não é uma marca nova. É o sistema digital de controle distribuído que a Emerson já vende há décadas para refinarias, petroquímicas e plantas químicas, agora adaptado para gerenciar cargas de energia e refrigeração de data centers de inteligência artificial. A publicação especializada World Oil descreveu o movimento como o transporte de tecnologia de automação industrial, historicamente usada no setor de óleo e gás, para um segmento de infraestrutura digital.
Essa origem explica o argumento central da Emerson. Segundo a companhia, o desacoplamento entre hardware e software permite que equipes de engenharia trabalhem em paralelo durante a obra, reduzindo o tempo entre o início do projeto e a entrada em operação da instalação.
Inteligência artificial contextual
A plataforma combina o sistema de controle distribuído DeltaV com controladores lógicos programáveis da mesma família, que se conectam ao DCS para formar o controle de processo em toda a instalação. Ambos incorporam, segundo a Emerson, inteligência artificial contextual para acelerar fluxos de engenharia e permitir controle avançado de processo.
Nathan Pettus, presidente da unidade de sistemas de processo e soluções da Emerson, afirmou em comunicado que a plataforma entrega visibilidade unificada para operar com previsibilidade em escala. A declaração carrega compromisso de proposta de valor, mas não vem acompanhada de número de capacidade, preço ou cliente já em operação com o sistema.
Ciclo de investimento no Brasil
A Emerson mantém operação industrial estabelecida no Brasil, incluindo linhas de automação de processo usadas em refinarias e plantas químicas do país. O release da DeltaV Automation Platform for Data Centers, porém, não menciona o mercado brasileiro, nem indica se a plataforma já está disponível para especificação em projetos fora dos Estados Unidos.
Essa lacuna pesa porque o Brasil vive, neste momento, um ciclo de investimento em data centers de inteligência artificial descrito por analistas do setor financeiro como inédito. O país concentra cerca de 48% da capacidade instalada de data centers da América Latina e 71% da capacidade em construção na região, segundo levantamento consultado por investidores do setor.
O programa Redata, em discussão no governo federal, tem potencial para elevar os investimentos anuais em data centers no país a R$ 100 bilhões, com a capacidade instalada projetada saltando de 750 megawatts para 3 gigawatts até 2032. Um exemplo do porte desses projetos é o complexo dedicado a inteligência artificial que a Ascenty começa a operar em Sumaré, no interior de São Paulo, com investimento total de R$ 30 bilhões e capacidade inicial de 60 megawatts, podendo chegar a 160 megawatts.
O que muda para quem projeta a instalação
Para equipes de engenharia que hoje coordenam manualmente fornecedores de automação elétrica, mecânica e térmica em um mesmo projeto de data center, a proposta da Emerson é eliminar essa integração ad hoc e substituí-la por uma arquitetura padronizada desde a concepção. Isso tende a interessar principalmente projetistas de instalações de grande porte, em que o custo de coordenação entre sistemas cresce junto com a escala.
A ausência de capacidade declarada, preço e cliente de referência, porém, mantém a avaliação prática do sistema em aberto. Sem essas informações, nenhum projeto brasileiro consegue, por ora, comparar a plataforma da Emerson com as soluções de automação de data center já oferecidas por outros fornecedores industriais no país.

