Um financiamento de R$ 15 milhões da Finep sustenta uma nova etapa de automação na fábrica de motocicletas que a Yamaha mantém em Manaus (AM). O contrato tem vigência de sete anos, cobre um projeto iniciado em 2025 com previsão de conclusão neste ano, e já liberou R$ 12 milhões à fabricante.
O aporte foi estruturado pela Yamaha Motor da Amazônia Ltda. e pela Yamaha Motor Componentes da Amazônia Ltda., subsidiárias responsáveis pela fabricação de motocicletas e componentes destinados ao mercado brasileiro e à exportação. Os recursos vêm do Finep Inovacred – Difusão Tecnológica para Inovação, linha de crédito reembolsável.
Documentação pública da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) mostra que o Inovacred aplica taxa referencial mais um adicional de cerca de 4% a 6% ao ano, com carência de até 24 meses e prazo total de até 96 meses, usando recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. O comunicado da Yamaha não informa qual agente financeiro credenciado avaliou e aprovou o projeto, dado relevante nesse modelo descentralizado de crédito.
Entre as iniciativas em andamento estão a adoção de ferramentas eletrônicas de rastreabilidade e controle digital e a modernização dos centros compactos de usinagem da fábrica. A Yamaha afirma que as mudanças aumentam a integração entre máquinas e linhas de produção, reduzindo variações no processo.
Também está em implantação uma célula robotizada para soldagem de costura dos tanques de combustível das motocicletas. A tecnologia deve padronizar o processo, reduzir riscos ergonômicos aos trabalhadores e cortar em até 50% o consumo de energia elétrica frente ao método convencional, segundo a fabricante.
Um projeto paralelo padroniza os ciclos das linhas de montagem, com expectativa de reduzir em 10% o tempo operacional médio. Já a automação da montagem de pneus, apontada pela empresa como pioneira no segmento de duas rodas no Brasil, tem potencial para cortar em até 30% o tempo dessa etapa da produção.
Rafael Lourenço, gerente de Relações Institucionais da Yamaha, afirma que os projetos seguem critérios de governança e prestação de contas definidos no convênio com a Finep. Para ele, as iniciativas “fortalecem a capacidade tecnológica da Yamaha no Brasil e contribuem para o desenvolvimento industrial da região”.
O financiamento também cobre programas de treinamento para capacitar funcionários a operar os novos sistemas. A Yamaha não detalhou a carga horária dos cursos nem quantos colaboradores serão certificados até o fim do projeto.
Um aporte pequeno perto do ciclo de investimento de 2023
O valor de R$ 15 milhões é modesto diante do histórico recente da fabricante no Amazonas. Em março de 2023, a Yamaha havia anunciado R$ 520 milhões em investimentos no Brasil entre 2023 e 2025, dos quais R$ 416 milhões destinados à própria fábrica de Manaus.
Naquele mesmo ciclo, a fabricante também previu R$ 430 milhões para uma nova unidade de motores em Manaus, com expectativa de operação a partir de 2025 e geração de cerca de 200 empregos diretos. O comunicado sobre o financiamento da Finep não esclarece se os projetos atuais de automação integram aquele ciclo maior ou representam uma frente adicional de investimento.
O momento é de expansão para o Polo Industrial de Manaus, que concentra mais de 99% da fabricação nacional de motocicletas. Entre janeiro e maio de 2026, a região produziu 932,5 mil unidades, alta de 10,1% ante o mesmo período de 2025, conforme dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo).
A Abraciclo projeta ainda 45 mil motocicletas exportadas pelo polo em 2026, alta de 4,4% sobre o ano anterior. A Yamaha cita a exportação entre os destinos da produção de Manaus, mas não informa qual fatia de sua fabricação segue para fora do país.
Para integradores de robótica industrial, o anúncio é mais um sinal de que o segmento de duas rodas amplia a automação de processos até então dependentes de operação manual, caso da soldagem de tanques e da montagem de pneus. Com a demanda aquecida projetada pela Abraciclo para 2026, o ganho de eficiência nas linhas já instaladas tende a pesar mais do que a expansão de capacidade física.

