A Rockwell Automation vem ajustando sua estratégia de visualização industrial para a América Latina, com uma aposta em dois trilhos: a continuidade dos sistemas consolidados de HMI e SCADA da família FactoryTalk View e a adoção gradual do FactoryTalk Optix, plataforma de nova geração projetada para arquiteturas em nuvem, edge e IIoT.
O contexto de fundo é relevante. Segundo a consultoria IDC, o mercado total de TI da América Latina crescerá 10,8% em 2025, 8,1% em 2026 e 9% em 2027, enquanto o PIB regional deverá avançar 3,2%, 4,3% e 5,3% nos mesmos períodos, respectivamente. O investimento em tecnologia, portanto, cresce em ritmo significativamente superior ao da economia como um todo.
Além disso, um estudo da consultoria Atlantico aponta que a penetração digital na América Latina atingiu 78%, superando os índices verificados em China e Índia.
Nesse cenário, a indústria manufatureira pressiona por soluções que conectem dados operacionais a decisões em tempo real, sem exigir paradas de produção para substituição de sistemas legados. É precisamente esse o terreno em que a Rockwell Automation busca se posicionar na região.
Segundo Cristiano Schnoremberger, Gerente Regional de Negócios para o Portfólio de Visualização da empresa, o desafio central das operações industriais atuais está na forma como a informação é entregue a quem precisa dela. “As operações industriais atuais funcionam com base em informações para cumprir com as metas de produção, reduzir o desperdício e o uso de energia, melhorar os processos e muito mais. Mas as informações só serão eficazes se os trabalhadores puderem acessá-las e compreendê-las facilmente, na hora, no local e formato exigidos”, afirmou o executivo.
A observação aponta para um problema prático frequente no chão de fábrica: dados existem, mas chegam fragmentados ou em formatos que dificultam a leitura operacional. A visualização industrial, nesse sentido, deixou de ser apenas um recurso de monitoramento de processos e passou a atuar como uma camada de distribuição de informação crítica entre equipes e camadas hierárquicas da planta.
Dois portfólios, uma estratégia de modernização gradual
A abordagem da Rockwell Automation para a transição se apoia na coexistência deliberada entre plataformas. As linhas FactoryTalk View Machine Edition (ME) e FactoryTalk View Site Edition (SE), voltadas a aplicações de HMI em máquinas e sistemas SCADA distribuídos, continuam recebendo atualizações, com melhorias em gráficos, diagnósticos e conformidade com padrões de cibersegurança.
Segundo Schnoremberger, esse suporte contínuo é parte de uma decisão estratégica: permitir que plantas com base instalada relevante se modernizem sem precisar migrar toda a infraestrutura de uma vez.
“Isso garante que nossa ampla base de usuários receba suporte a longo prazo, permitindo que as indústrias se modernizem com confiança, sem interrupções, treinamentos adicionais ou migrações forçadas, protegendo, assim, a continuidade operacional e os investimentos existentes”, explicou o executivo.
Em paralelo, o FactoryTalk Optix é descrito pela empresa como uma plataforma habilitada para nuvem que permite aos usuários projetar, testar e implementar aplicações diretamente de um navegador web, a partir de qualquer localização. A plataforma oferece colaboração multiusuário, design e teste via web e controle de versão integrado. A lógica é outra: enquanto as linhas ME e SE protegem investimentos existentes, o FactoryTalk Optix serve como porta de entrada para arquiteturas modernas, especialmente em projetos novos ou em plantas que buscam expandir sua presença no edge e na nuvem.
Do ponto de vista de integração, o FactoryTalk Optix foi concebido para operar em arquiteturas multivendedor, com suporte nativo a OPC UA e acesso remoto incluído sem necessidade de VPNs dedicadas. Isso tende a reduzir barreiras de adoção em ambientes industriais onde equipamentos de múltiplos fabricantes coexistem, situação comum em plantas da região.
Perspectivas para o setor na América Latina
A convergência entre TI e OT, acelerada nos últimos anos, coloca pressão crescente sobre os fornecedores de automação para oferecer soluções que vão além do controle de processo. A visualização passa a operar como infraestrutura de dados: coleta, contextualiza e distribui informação para diferentes níveis da organização, do operador de máquina ao gestor de planta.
Para Schnoremberger, o caminho passa pelo empoderamento de diferentes atores do ecossistema industrial. “O setor precisa estar focado em capacitar OEMs, integradores de sistemas e usuários finais a diferenciar soluções, acelerar a inovação e escalar de pequenas aplicações em edge para sistemas distribuídos”, afirmou o executivo.
A declaração sinaliza que o foco da empresa não está apenas no usuário final da planta, mas nos parceiros de canal, que respondem por grande parte das instalações industriais na região.
Com o avanço da IA aplicada à automação industrial, a visualização tende a assumir papel ainda mais central nas operações. Sistemas de supervisão que hoje exibem dados deverão, em perspectiva, incorporar camadas de análise que antecipam desvios e sugerem ajustes.
A Rockwell Automation afirma estar desenvolvendo novas funcionalidades nessa direção, com previsão de disponibilização para clientes da região em data ainda não especificada.



