Investimento em tecnologias smart na indústria aumenta, apesar da falta de regulamentação

Em meio à apresentação de cases e debates, que marcaram o VII Simpósio Internacional de Excelência em Produção, promovido pela VDI-Brasil, especialistas de grandes indústrias mostraram que as empresas brasileiras estão se preparando para acompanhar as tendências internacionais de tecnologia e já colhem bons resultados, apesar da falta de regulamentação ainda inibir uma maior adoção da digitalização.

As soluções smart já estão entrando em todos os setores, ainda que em diferentes graus de intensidade. Em média, 37% das indústrias no mundo já passam por uma mudança essencial, segundo um relatório deste ano da McKinsey. Para o vice-presidente da VDI-Brasil e gerente sênior de compras da Mercedes-Benz do Brasil, André Wulfhorst, o Brasil tem bons exemplos que indicam que estamos caminhando na direção certa.

“À medida que as empresas conseguem ter apoio do governo, através de uma melhor carga tributária, uma revisão da NR12, elas conseguem investir com mais segurança nas soluções smart. A digitalização favorece a competição e traz crescimento para toda a indústria, em todos os setores e é isso que estamos vendo acontecer no Brasil”, completou Wulfhorst.

Soluções Smart no Brasil

No cenário brasileiro de inovação, as grandes indústrias automotivas ainda são as dominantes, entretanto, o debate tem levado o conhecimento sobre as soluções smart também a outros setores e, principalmente, às PMEs, que, no Brasil, representam 95% da indústria.

Um exemplo é o grande processo pelo qual a Bosch está passando. Em uma de suas plantas em Pomerode, Santa Catarina, o uso de sensores fez com que houvesse uma diminuição de 80% do tempo de máquinas paradas. Os sensores, que podem ser desde térmicos até de vibração, enviam informações e calculam o tempo de manutenção das máquinas.

Durante o debate, o gerente de TI da Bosch, Jefferson Simoni destacou ainda a iniciativa da empresa de criar um setor focado no desenvolvimento de novas tecnologias para a indústria. A área, que funciona de forma similar a uma startup, já produziu novos produtos em tempo muito menor do que o exigido por processos mais tradicionais.

PMEs

Para os especialistas, a digitalização das PMEs ainda é vista como um desafio no sentido econômico, mas pode ser mais simples do que em uma grande empresa, já que as pequenas e médias são mais flexíveis quando se trata de mudanças, e precisam, sobretudo, de incentivos e informação.

“As PMEs não têm um centro de desenvolvimento, assim como as grandes empresas, e, por isso, precisam de incentivos do governo. Elas são rápidas para executar, têm uma potencialidade de mudar de rumo que as grandes não têm, mas, para que isso aconteça, é importante ensiná-las sobre essas tecnologias, porque quando elas despertarem, serão mais rápidas e inovativas”, explicou o vice-presidente da VDI-Brasil e sócio-diretor da MHMura, Mauricio Muramoto.

Dificuldades e falta de regulamentação

Em pesquisa realizada pela Siemens, no ano passado, 40% das 246 empresas brasileiras contatadas disseram que a falta de disposições legais dificulta a digitalização nas fábricas. Além disso, 52% delas apontam a ausência de benefícios fiscais para investimentos como outra grande barreira externa desse processo.

“Falta um órgão regulador que motive o próximo passo para essa revolução. É o que a VDI faz aqui no Brasil, ou seja, estimular a colaboração das empresas, ainda que concorrentes, para debater a indústria e os processos, é um exemplo claro do caminho a ser seguido”, enfatizou o diretor de negócios da divisão industrial da Atlas Copco Brasil, Leandro Escudeiro.

Simoni, da Bosch, também enfatizou que uma regulamentação focada em ajudar as empresas na adoção e desenvolvimento de inovações pode ser construída com base nas normas já implantadas em outros países.

“É necessário regulamentar, mas devemos tomar cuidado para não criar uma burocracia que atrase o desenvolvimento. Quem trabalha na indústria sabe como é difícil. É importante, antes de tudo, saber onde o país quer estar a médio e longo prazo, dar um norte e aí sim gerar incentivos reais e não propostas de coletar novos impostos”, disse Simoni.

O futuro das soluções smart no Brasil é promissor, o resultado disso são os cases apresentados e o otimismo das empresas, apesar dos entraves. Os benefícios da digitalização podem ser vistos em curto prazo, mas a grande mudança virá a longo prazo. E o investimento contínuo em tecnologia, pesquisa e inovação é o que fará o Brasil a voltar a ser um país competitivo e o destacará internacionalmente.