Uma plataforma de sistema de controle habilitada por inteligência artificial passou a operar de forma autônoma em uma unidade petroquímica dos Emirados Árabes Unidos. A Honeywell anunciou o Experion Cognition em prova de conceito realizada na planta da Borouge Group International em Ruwais, Abu Dhabi, com disponibilidade comercial prevista para o terceiro trimestre de 2026.
A tecnologia se insere em um movimento mais amplo do setor de automação industrial rumo à autonomia operacional, tema recorrente em conferências e roadmaps de fornecedores globais nos últimos anos. Segundo a Honeywell, a indústria discute o conceito de salas de controle autônomas há tempos, mas a implementação prática esbarrava na dificuldade de transformar recomendações de IA em decisões automatizadas confiáveis dentro de ambientes de processo crítico.
O caso da Borouge International ganha relevância adicional por se tratar, de acordo com a Honeywell, da primeira aplicação de operações autônomas com IA na indústria petroquímica. A companhia integra o Experion PKS, sistema de controle distribuído já consolidado no mercado, o que reduz a barreira de adoção para clientes que já operam a plataforma.
Como funciona o sistema de detecção antecipada
O Experion Cognition atua detectando e mitigando de forma proativa situações anormais antes que elas se concretizem em falhas de processo. De acordo com a Honeywell, em múltiplos projetos-piloto a plataforma conseguiu prever, em média, entre cinco e dez minutos antes, incidentes que gerariam alarmes convencionais.
Essa antecipação amplia a janela de reação dos operadores e, segundo a empresa, contribui para reduzir tanto erros de processo quanto períodos de inatividade. Um dos recursos incorporados à plataforma é o Operations Assistant, responsável por consolidar recomendações automatizadas dentro do fluxo de trabalho da sala de controle.
Jim Masso, presidente e CEO da Honeywell Process Automation, afirmou que o setor discutia havia anos a possibilidade de salas de controle autônomas e que o Experion Cognition transforma esse conceito em operação real. Segundo o executivo, agentes baseados em IA gerenciando ativamente anomalias de processo permitem que operadores alcancem resultados consistentes de forma contínua.
Um dos argumentos centrais da Honeywell para a tecnologia é o enfrentamento da escassez de mão de obra qualificada no setor industrial. Com a aposentadoria de operadores experientes, a automação do gerenciamento de situações anormais passa a ser apresentada como resposta à lacuna de competências enfrentada por plantas de processo em diferentes regiões. Ao delegar tarefas cognitivas a agentes autônomos, a empresa afirma que operadores com menos experiência conseguem administrar unidades industriais com nível de desempenho comparável ao de profissionais veteranos.
Hasan Karam, Chief Operating Officer da Borouge International, declarou que a colaboração com a Honeywell representa as primeiras operações autônomas com IA da indústria petroquímica e estabelece um novo padrão de eficiência para o setor. Segundo Karam, a iniciativa integra o programa de IA, Digitalização e Tecnologia da Borouge International e reflete o foco da companhia em execução disciplinada e geração de valor de longo prazo.
Próximos passos para expansão da tecnologia
A Borouge International informou que dará continuidade aos testes para demonstrar ainda mais o potencial das operações autônomas antes de decidir sobre uma expansão mais ampla. Segundo a companhia, a avaliação inclui a possibilidade de levar a tecnologia para outras instalações além de Ruwais, tanto nos Emirados Árabes Unidos quanto em outras localidades onde a Borouge International mantém operações.
Para o mercado de automação de processos, a validação em escala real de um sistema de decisão autônoma em ambiente petroquímico tende a servir de referência para outras operadoras do setor que avaliam projetos semelhantes. A combinação entre antecipação de falhas e suporte a operadores menos experientes atende diretamente a uma das pressões mais citadas pela indústria global: a substituição geracional da força de trabalho técnica sem perda de conhecimento operacional acumulado.
A Honeywell não detalhou, no material divulgado, o modelo comercial de licenciamento do Experion Cognition nem eventuais custos de implementação para clientes que já operam o Experion PKS. A expectativa da companhia é de que a solução esteja disponível comercialmente a partir do terceiro trimestre de 2026, quando outras operadoras poderão avaliar sua adoção em plantas próprias.

