A ArcelorMittal firmou uma parceria com a startup brasileira 2Neuron para a implementação de um sistema de manutenção preditiva sem sensores na unidade de Pecém, no Ceará.
O contrato, no valor de R$ 3,6 milhões, prevê a ampliação do uso da tecnologia Ultronline na planta industrial, com foco em confiabilidade operacional, redução de paradas não programadas e ganhos de eficiência energética.
Desenvolvida pela 2Neuron, a solução se baseia em inteligência artificial aplicada à análise de sinais elétricos já disponíveis na infraestrutura industrial. Segundo a empresa, o método dispensa a instalação de sensores adicionais nos equipamentos, o que elimina intervenções físicas, cabeamento extra e investimentos de capital normalmente associados a sistemas tradicionais de monitoramento.
De acordo com as informações divulgadas, o Ultronline permite a detecção antecipada de falhas mecânicas e elétricas, além da supervisão contínua de ativos considerados críticos para a operação. A expectativa é que a tecnologia contribua para aumentar a disponibilidade dos equipamentos e reduzir perdas decorrentes de falhas inesperadas.
Projeções apresentadas pela startup indicam que a implantação na unidade de Pecém pode gerar um retorno sobre investimento estimado entre 14 e 30 vezes o valor aplicado, considerando fatores como mitigação de falhas, aumento da disponibilidade operacional e eficiência energética.
A 2Neuron também aponta que uma eventual expansão da solução para outras unidades brasileiras da ArcelorMittal poderia resultar em economias anuais na faixa de centenas de milhões de reais.
Em um cenário global, considerando as principais plantas do grupo, o potencial econômico estimado ultrapassaria a casa dos bilhões de dólares por ano.
Em nota, Gabriel Coimbra, CEO da 2Neuron, afirmou que o projeto em Pecém demonstra a aplicabilidade da tecnologia em ambientes industriais complexos e reforça a proposta de uma gestão de ativos baseada em dados já existentes na planta.
Além do setor siderúrgico, a solução vem sendo aplicada em outros segmentos intensivos em ativos. A startup informou recentemente a assinatura de um contrato com a Sabesp para o monitoramento de bombas de esgoto em estações elevatórias distribuídas em municípios do estado de São Paulo.
Segundo a empresa, a estratégia de implantação prioriza até 20% dos motores considerados mais críticos em cada planta, concentrando esforços nos ativos com maior impacto operacional e financeiro. A proposta é obter resultados em prazos mais curtos e permitir a escalabilidade do sistema sem a necessidade de longas interrupções de produção.
O projeto na unidade cearense da ArcelorMittal é tratado pela startup como um caso relevante para a expansão do modelo de monitoramento sem sensores em outras operações industriais.

