A Raízen, produtora de açúcar e etanol e distribuidora de combustíveis, protocolou um plano de recuperação extrajudicial envolvendo cerca de R$ 65 bilhões em dívidas concursais, segundo fontes ouvidas pelo CNN Money.
A iniciativa conta com o apoio de credores que representam mais de 40% do passivo incluído no processo.
De acordo com as informações, a empresa encerrou dezembro com aproximadamente R$ 17,3 bilhões em caixa. Bancos concentram cerca de metade da dívida, enquanto bondholders, detentores de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e debenturistas respondem pela outra metade.
O objetivo do plano é proporcionar um ambiente de proteção financeira que permita à companhia preservar liquidez, especialmente com a proximidade do início da safra de cana-de-açúcar, período que demanda maior capital de giro. Nesse modelo de recuperação, a suspensão ocorre apenas no pagamento de dívidas financeiras, enquanto as obrigações com fornecedores seguem normalmente.
Na condução da operação, a Raízen conta com assessoria jurídica dos escritórios E.Munhoz Advogados e Pinheiro Neto, além da consultoria financeira da Rothschild & Co.
Na semana anterior, em fato relevante divulgado ao mercado, a empresa informou que avaliava a adoção de uma solução considerada abrangente para fortalecer sua estrutura de capital. Entre as alternativas mencionadas estava justamente a possibilidade de recorrer à recuperação extrajudicial.
A proposta em análise inclui um aporte de capital de R$ 4 bilhões. Desse total, R$ 3,5 bilhões seriam provenientes do Grupo Shell e R$ 500 milhões de um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, ligada à família do acionista controlador da Cosan.
Os movimentos ocorrem após a companhia registrar prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre do ano-safra 2025/26, valor cerca de seis vezes superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior. No acumulado dos nove primeiros meses do ano-safra, o prejuízo somou R$ 19,8 bilhões.
Também nesta terça-feira, a Moody’s Ratings rebaixou a classificação de crédito da Raízen de Caa1 para Caa3. A agência citou o elevado nível de endividamento da empresa e a geração persistente de fluxo de caixa negativo como fatores para a decisão.
Durante teleconferência realizada no mesmo dia, o conglomerado Cosan informou que espera novos desdobramentos nos próximos dias sobre o plano de capitalização da companhia. O CEO da Cosan, Marcelo Martins, afirmou que a evolução das discussões pode levar a uma solução considerada adequada pelo mercado para a situação financeira da Raízen.

